Livro inédito de Jamil Snege, "Valsa da despedida", é lançado no dia 10 de novembro, no Dizzy Café Concerto
Organizada
pela família, edição independente reúne 30 textos que permaneceram inéditos em
livro, muitos escritos nos últimos anos de vida do autor curitibano, durante a
convivência com um câncer 
Uma obra inédita de Jamil Snege chega ao público.
“Valsa da despedida” reúne 30 textos resgatados e organizados pela família do
escritor curitibano.
Lançamento dia 10 (terça-feira), às 19h, no Dizzy Café
Concerto. Foto: divulgação
A obra de Jamil Snege
(1939–2003), um dos autores mais cultuados do Paraná e considerado por muitos o
maior segredo literário de Curitiba, ganha mais um capítulo. O livro
"Valsa da despedida" será lançado no dia 10 de novembro, terça-feira,
às 19h, no Dizzy Café Concerto, no bairro São Francisco.
A edição reúne 30 textos
inéditos em livro, entre contos, crônicas e poemas. Grande parte foi escrita a partir
de 2002, quando Jamil recebeu o diagnóstico de um câncer no pulmão. Numa época
em que doenças eram vividas em segredo, o escritor rompeu o tabu e compartilhou
com os leitores, em suas colunas e crônicas, a intimidade da convivência com a
doença.
"A doença trouxe ao
Jamil uma inevitável sensação de finitude. Ele queria escrever um último livro,
ter uma última possibilidade de entrega absoluta à literatura. Nosso trabalho
foi encaixar as peças soltas e descobrir que o derradeiro livro já havia sido escrito",
conta Jean, filho do autor.
Um autor fora do mercado
Jamil Snege publicou 11
livros em 35 anos, quase todos por conta própria — da capa à escolha do papel,
da fonte e da diagramação. A distribuição, quase clandestina, era feita por
amigos e leitores. Entre os títulos de destaque estão os contos de "O jardim,
a tempestade" e "Os verões da grande leitoa branca", as crônicas
de "Como tornar-se invisível em Curitiba" e a novela "Viver é
prejudicial à saúde", considerada um dos lançamentos literários mais
importantes do país nos anos 1990.
A independência era uma
escolha. "Eu simplesmente resguardei uma liberdade de criar. É um
comportamento não-comercial que, ao mesmo tempo, me reservou o frescor que a
literatura exerce", dizia. Para sustentar a escrita, foi jornalista,
paraquedista do Exército, redator publicitário, dono de antiquário e
marqueteiro político. "Pago para escrever o que quero com o que me pagam
para escrever o que não quero", resumia.
A última dança
Em "Valsa da
despedida", o lirismo negativista e a ironia característicos do autor se
transformam diante da efemeridade da vida. Jamil escreve com leveza sobre a
doença, sem esconder o medo da morte, e revisita a infância, o amor e o afeto
sob nova ótica. Sem cerimônia, convida a morte para dançar — e os leitores para
acompanhar cada passo.
O livro não se prende a um
gênero, o que nunca foi uma preocupação do escritor. "Trabalho muito a linguagem,
tema ou gênero são coisas secundárias. A literatura merece uma múltipla
abordagem exatamente para que a gente possa explorar as várias facetas
dela", defendia.
Os textos ficaram mais de
duas décadas praticamente inacessíveis, dispersos em periódicos e presos na
transição dos meios físicos para os digitais. A família — Vera, Daniel e Jean —
conduziu meses de pesquisa e seleção para montar a edição. Na apresentação do
livro, explicam o intervalo: "Este livro finalmente está pronto porque nós
estamos prontos."
Fiel ao espírito do autor,
"Valsa da despedida" é uma edição independente, criada e custeada
pela família, que assinou capa, diagramação e revisão. Após o lançamento, as
vendas serão feitas pelo Instagram @jamilsnege.
Serviço:
Evento: Lançamento do livro "Valsa da
despedida", de Jamil Snege
Data: 10 de novembro (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Dizzy Café Concerto — Rua Treze de
Maio, 894 - São Francisco / Curitiba
Vendas após o lançamento: Instagram @jamilsnege
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