Projeto
pioneiro mostra como ambientes impactam diretamente o desenvolvimento de
autistas
A arquitetura pode ser decisiva
no desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, TEA, mas
ainda é pouco explorada como ferramenta terapêutica no Brasil. A arquiteta
especialista Rosana Pacionik
Natan defende que o ambiente precisa ser pensado de forma estratégica para
colaborar com o neurodesenvolvimento. “O espaço não pode ser neutro ou apenas
bonito. Ele precisa ser funcional para o cérebro de quem está ali,
especialmente quando falamos de autismo”, afirma.
Essa visão ganha força em um
momento em que o número de diagnósticos cresce no mundo. Segundo o Centro de
Controle e Prevenção de Doenças, CDC, 1 em cada 31 crianças está dentro do
espectro. No Brasil, a ausência de normas específicas para o autismo na arquitetura
ainda representa um desafio, já que as diretrizes existentes focam
principalmente em acessibilidade física.
Para suprir essa lacuna,
iniciativas independentes vêm ganhando protagonismo. Um exemplo é o trabalho
desenvolvido pelo instituto EDUTEA criado por Rosana, que atua tanto na
educação e saúde quanto na viabilização de projetos arquitetônicos inclusivos.
“Nosso objetivo é democratizar o acesso. Muitas famílias escolas e clínicas não
têm recursos para um projeto completo, então buscamos parcerias para tornar
isso possível”, explica.
Esse modelo colaborativo já
apresenta resultados concretos. No próximo dia 07 de maio, será inaugurada a
Clínica Aampara, considerada um projeto pioneiro no país ao aplicar, na
prática, conceitos de arquitetura voltada ao autismo em um espaço clínico multidisciplinar.
“É a prova real de que funciona. Não é um conceito teórico ou um projeto no
papel. É um ambiente construído para atender as necessidades sensoriais e
comportamentais do autista”, destaca.
O projeto enfrentou limitações
orçamentárias, comuns em iniciativas financiadas com recursos públicos. Ainda
assim, soluções estratégicas permitiram alcançar um resultado eficiente.
“Trabalhamos com arquitetura modular e escolhas assertivas de layout e mobiliário.
Isso reduz custos e garante funcionalidade”, explica a especialista.
Um dos principais diferenciais
está no controle de estímulos. Ao contrário do senso comum, que associa
ambientes terapêuticos a excesso de elementos visuais, o foco é a redução de
interferências. “A pessoa precisa estar desestimulada para conseguir receber o
estímulo da terapia. Se o ambiente já é excessivo, ela não consegue focar no
que realmente importa”, afirma.
Além do impacto técnico, a
iniciativa também levanta um debate social importante: a falta de visibilidade
do autismo em políticas públicas e sinalizações cotidianas. “Hoje vemos placas
para idosos, gestantes e pessoas com deficiência física, mas quase nada voltado
ao autista. Isso mostra uma mistura de falta de conhecimento e esquecimento”,
pontua.
Para ampliar o acesso à
informação, Rosana também organiza um congresso EDUTEA nacional que reúne
profissionais de diferentes áreas para discutir o tema sob uma perspectiva
multidisciplinar. O evento acontece em junho, em Curitiba, e toda a arrecadação
será destinada ao instituto. “A inclusão só acontece quando todas as áreas
trabalham juntas. Arquitetura, educação, saúde e família precisam estar
alinhadas”, reforça.
Como mensagem final, a
especialista destaca um ponto central que ainda precisa avançar no país. “O
autismo é uma deficiência e precisa ser tratado como tal em todas as
disciplinas. Quando o ambiente é pensado corretamente, ele deixa de ser um
obstáculo e passa a ser uma ferramenta de desenvolvimento”, conclui.
Serviço: Mantro
Arquitetura Sensorial
Rosana Pacionik Natan
Arquiteta especialista em
autismo
(41) 99675 8855
@arq.rosanapaciorniknathan
contato@rosanapaciorniknathan.com.br
www.rosanapaciorniknathan.com.br
Av. Sete de Setembro 5402
sala 121 Batel / Curitiba, PR
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