O escritor Lucas Lotério, vencedor da segunda edição do Concurso Literário da Degustadora Editora, em 2025, lança seu primeiro livro, Ainda há amanhãs nos nossos ontens, publicado pelo selo Ópio Literário. A obra, composta por 11 contos, foi escolhida entre 395 originais inscritos, incluindo textos enviados de Portugal e Angola, e chega ao público como resultado de uma trajetória que começa dentro da própria livraria, como leitor, e se consolida agora na escrita literária.
Lotério tem um percurso de formação construído a partir da vivência nos espaços da Degustadora de Histórias. Frequentador de clubes de leitura, mediador de encontros e aluno de cursos de escrita criativa e teoria literária, o autor transformou a relação com os livros em um processo contínuo de aprendizado e criação.
“Encontrei na livraria um espaço para compartilhar, crescer, aprender e ouvir. Entre o desejo de escrever e o ato de sentar para escrever, precisei fazer toda essa trajetória, de beber dessa fonte e ter essa troca com outras pessoas”, afirma.
Contos que partem da vida para tocar o leitor
Com narrativas que transitam entre diferentes formatos: cartas, diálogos, monólogos interiores e relatos mais tradicionais, o livro propõe ao leitor uma experiência marcada pela diversidade de formas e pela unidade temática. As histórias podem ser lidas de maneira independente, mas guardam conexões sutis entre si, criando um fio condutor que atravessa toda a obra.
A inspiração, segundo o autor, nasce da própria experiência cotidiana. “A vida é a inspiração do meu livro. São coisas que eu já passei, que amigos passaram ou que eu imagino que podem acontecer. Acho que o leitor pode esperar identificação, essa sensação de reconhecer algo de si nas histórias”, diz.
Essa proximidade com o real se reflete também na linguagem, que aposta na concisão e na sugestão como caminhos narrativos. “Sou apaixonado por narrativas curtas. Um bom conto é sobre tudo aquilo que o escritor não diz. Essa possibilidade de deixar parte da interpretação a cargo do leitor me fascina”, completa Lotério.
Em um dos textos, o conto “Sua escova de dentes” se inicia com um gesto simples, carregado de significado: “Hoje eu joguei fora a sua escova de dentes. Sei que esse talvez não seja o melhor jeito de começar a te contar essa história, mas eu precisava começar de algum lugar e decidi que era melhor começar por aí, pelo fim”.
Já em “Tradição Familiar”, o autor explora memórias afetivas com humor e observação sensível do cotidiano: “Minha tia Marta fumava Marlboro de filtro vermelho e dizia que o marido dela gostava de ‘cigarro de mulherzinha’ [...] Inclusive, quando criança, eu os chamava assim: tia Malboro e tio Roliúde”.
Com o livro agora disponível para o público, Lucas Lotério compartilha um desejo direto com seus leitores: “Espero que as pessoas se emocionem, que carreguem essas histórias com elas mesmo depois de fechar o livro. E que façam o livro circular”.


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