Solo inspirado na Tropicália propõe experiência intensa com dança, texto e som em espaço inédito na programação do Fringe.
Com materiais
plásticos, transparências e volumes tridimensionais, o figurino criado por Luan
Valloto molda a presença cênica de Carmen Jorge e conduz a narrativa de Hiperfabulária Tropical.
Foto: João Debbs
O ateliê de um figurinista no Centro de
Curitiba se transforma em palco para a performance “Hiperfabulária Tropical”,
apresentada pela bailarina, coreógrafa e pesquisadora Carmen Jorge na Mostra
Fringe da Festival de Curitiba. As sessões ocorrem nos dias 7 e 8 de
abril, às 17h, no Ateliê Luan Valloto, espaço onde foram criados os
figurinos do espetáculo.
A escolha do local não é apenas
cenográfica: o espetáculo foi concebido para dialogar diretamente com o
ambiente de criação, aproximando público e processo artístico. Com lotação
limitada a 30 pessoas, a proposta é oferecer uma experiência intimista e imersiva.
Corpo, palavra e política em cena
No solo, Carmen Jorge tensiona dança,
texto e sonoridade para investigar as relações entre corpo e discurso político.
A performance parte do romance PanAmérica, obra associada ao
experimentalismo brasileiro e à estética da Tropicália, para construir uma
dramaturgia fragmentada e instável.
A artista utiliza técnicas de dança
urbana, como o popping, combinadas a emissão de textos e movimentos abruptos,
criando o que define como estado de “corpocaos” — um fluxo em que o corpo
oscila entre controle e ruptura.
Espaço de moda como extensão da
dramaturgia
O figurino, assinado por Luan
Valloto, deixa de ser apenas elemento visual para se tornar parte da
narrativa. Ao apresentar a obra no próprio ateliê do estilista, o espetáculo
evidencia o figurino como componente dramatúrgico, ampliando o diálogo entre
moda, performance e política.
A trilha sonora, desenvolvida pela
designer de som Edith de Camargo, e a iluminação de Wagner Corrêa contribui
para criar um ambiente sensorial que intensifica a proximidade entre artista e
plateia.
Diálogo com pensamento contemporâneo
Além da influência do multiartista José
Agrippino de Paula e da coreógrafa e diretora Maria Esther Stockler,
o espetáculo também ecoa reflexões do líder indígena Ailton Krenak,
abordando temas como crise ambiental, colapso civilizatório e possibilidades de
reinvenção.
Fundadora da plataforma PIP Pesquisa
em Dança (www.criacorpo.art), Carmen
desenvolve desde 2002 uma pesquisa que cruza arte, política e experimentação.
Em “Hiperfabulária Tropical”, essa trajetória se materializa em uma cena que
transforma o corpo em território de conflito e criação.
Serviço
Hiperfabulária Tropical – Mostra Fringe – 34º Festival de
Curitiba
Datas: 7 de abril (gratuito) e 8 de abril (contribuição espontânea /
sistema Pague Quanto Vale)
Horário: 17h
Local: Ateliê Luan Valloto (Rua Comendador
Macedo, 360 -
Centro)
Lotação: 30 lugares
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 35 minutos
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