
O entretenimento brasileiro vive uma transformação acelerada. Antes, os grandes eventos surgiam quase sempre nos principais polos do País. Hoje, são os eventos regionais que estão chamando atenção, trazendo novas ideias e criando experiências que realmente conectam com o público. Eles deixaram de ser vistos como menores e se tornaram referência de estratégia e proximidade.
Isso acontece por um motivo simples. É o mesmo movimento que aconteceu com os microinfluenciadores. Marcas entenderam que influencers menores, mas muito conectados ao seu público, geram maior engajamento, confiança e resultados mais reais. No entretenimento, os eventos regionais funcionam da mesma forma. Eles conhecem profundamente seu território e falam direto com quem realmente importa. São mais certeiros, mais relevantes e constroem conexões mais fortes.
O “Na Praia”, um dos maiores projetos de experiência imersiva do País, transforma Brasília durante todo o verão, com praia artificial, gastronomia e uma programação intensa de shows. Seu sucesso nunca foi fruto de uma fórmula pronta, mas de uma leitura cuidadosa do território. Em Belo Horizonte, o formato não se conectou com o clima e o estilo de vida da cidade. Já em Brasília, onde havia demanda reprimida por entretenimento e um público exigente, encontrou o cenário ideal para florescer. O mesmo evento, em duas regiões e dois resultados diferentes, ilustrando como o território muda tudo.
É por isso que os eventos regionais funcionam tão bem. Eles respeitam a cultura local, observam o clima, os hábitos e o jeito de viver de cada lugar. Criam experiências que fazem sentido para aquela região. E quando isso acontece, o público aparece.
Comunidade é o novo palco e faz os eventos crescerem
O grande segredo por trás dos eventos regionais é a força da comunidade. Não é só sobre vender ingressos. É sobre criar um grupo de pessoas que se sente parte do show, que acompanha o projeto o ano todo e que defende a marca.
O Feijoada com Samba, o maior festival de samba e pagode do Sul do Brasil, é um ótimo exemplo. O evento não tem apenas público, tem uma comunidade ativa. Quem participa do grupo oficial criado pelos organizadores recebe tudo antes: datas, valores, atrações e novidades. As pessoas conversam entre si, compartilham experiências e se organizam para ir juntas. Isso cria um sentimento de pertencimento que vai muito além do dia do evento.
Quando um evento regional deve expandir
A expansão de um evento não deve ser acelerada pela ansiedade do produtor. Crescer por ambição pode até gerar visibilidade, mas não cria consistência. O crescimento saudável acontece quando existe demanda real.
Um evento regional só deve se tornar nacional quando o público de outras regiões começa a pedir por ele. É quando surgem mensagens, pesquisas, convites e procura de outras cidades. É quando a comunidade é tão forte que ultrapassa as fronteiras da região. Nesse momento, a expansão não é um risco. É um passo natural.
Se o evento ainda depende de empurrão, marketing pesado ou justificativas, é sinal de que não está na hora. A comunidade aponta o caminho. A demanda confirma o momento. E o território determina onde a experiência vai funcionar.
Os eventos regionais estão redesenhando o mapa do entretenimento brasileiro. Eles mostram que ir para o regional não é diminuir. É aprofundar. É entender a cultura de cada lugar e criar experiências que nascem fortes e verdadeiras.
Os próximos grandes fenômenos do entretenimento não vão surgir apenas nas capitais tradicionais. Eles vão nascer onde houver comunidade, cuidado e leitura sensível do território. Quem entender isso agora estará um passo à frente no futuro do setor.
*Guilherme Feldman é CEO da Bilheteria Digital (BD), referência nacional em soluções para venda de ingressos, controle e gestão de eventos.
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