Livro traz dicas práticas e exemplos simples sobre como criar filhos com autonomia e saúde emocional

O acúmulo de informações sobre educação de filhos tem levado pais à exaustão, mas a terapeuta ocupacional Andréa Fernandes mostra em seu livro "Pequenos e Decisivos Passos na Infância" que, com orientação estruturada, é possível exercer a parentalidade com leveza

Ao descobrir a gravidez, muitos pais já começam a pesquisar sobre a melhor forma de criar e educar seus filhos. E hoje não faltam informações. São tantos cursos, lives e workshops disponibilizados na internet que podem levar à exaustão parental. A terapeuta ocupacional Andréa Fernandes via, em atendimentos, famílias fazendo o melhor que podiam, mas perdidas entre excesso de informação, a culpa e a pressão por desempenho. “Muitas vezes havia muito estímulo e pouca orientação clara. Eu queria escrever um livro que trouxesse clareza, segurança e direção prática”, explica ela.

Além dos atendimentos diários, Andréa também é mãe de três. “Apesar de  sentar para digitar o livro  “Pequenos e Decisivos Passos Para a Infância” em 2023, ele vem sendo construído há anos na prática clínica, na maternidade real e nas conversas difíceis, que muitas vezes não aparecem nos livros sobre desenvolvimento infantil”, relata a terapeuta ocupacional.

Com sua experiência, Andréa passa uma mensagem simples e profunda, através de seu livro. “Antes do comportamento, existe um corpo. Antes da correção, existe uma relação. E antes da independência, precisam existir regulação e vínculo. Desenvolvimento infantil não é sobre acelerar resultados, mas sobre construir bases emocionais e funcionais sólidas”, afirma ela.

O livro “Pequenos e Decisivos Passos Para a Infância”, da Editora Minotauro, é para adultos responsáveis por crianças e também dialoga com educadores e profissionais que desejam compreender o desenvolvimento infantil para além do desempenho. “Quem entende que educar não é apenas corrigir comportamento, mas formar um ser humano capaz de desenvolver autonomia, independência e interdependência ao longo da vida encontrará muitos insights e  sugestões do que fazer em situações corriqueiras em casa, na escola e em outros ambientes. É um guia com histórias reais, reflexões profundas e ferramentas práticas facilmente aplicadas no dia a dia. Sem, é claro, esquecer de cuidar, com gentileza, do adulto que cuida da criança”, enfatiza Andréa.

Sobre Andréa Fernandes

Andréa Fernandes passou por uma transição de carreira, depois da separação em uma relação que durou 25 anos e teve como frutos três filhas. “A relação já não era saudável e estava comprometendo meu bem-estar emocional. A separação foi uma decisão difícil, mas necessária para preservar minha saúde e reconstruir minha vida com mais autonomia, equilíbrio e responsabilidade pelas minhas escolhas”, relata ela. 

Ela sempre se identificou com profissões ligadas ao cuidado e encontrou na Terapia Ocupacional a integração do desenvolvimento humano com funcionalidade, participação e autonomia. Em 2019, foi aprovada no curso de Terapia Ocupacional no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), uma graduação integral que exigiu uma reorganização completa da sua vida, com  duas filhas adolescentes e a mais nova com quatro anos, na época. E, para conseguir se manter no curso, Andréa empreendeu, paralelamente, vendendo lingerie e cosméticos.

“Durante esse período, enfrentei perdas profundas. Minha mãe foi diagnosticada com câncer e faleceu enquanto eu ainda cursava a graduação. Seis meses depois, perdi também uma irmã, pela mesma doença. Foram momentos extremamente difíceis, que exigiram equilíbrio emocional e determinação para seguir. Concluir a graduação nessas circunstâncias não foi apenas uma conquista acadêmica, foi a consolidação de uma escolha consciente: trabalhar com desenvolvimento infantil com responsabilidade técnica, compromisso humano e clareza de propósito”, enfatiza ela.

Após a formação, Andréa passou a atuar formalmente como terapeuta ocupacional, consolidando uma prática voltada ao desenvolvimento infantil, especialmente no acompanhamento de crianças no espectro do autismo.  “Tenho como eixo clínico a construção da autonomia infantil a partir de segurança emocional e regulação. A Terapia Ocupacional me permitiu unir ciência, vínculo e funcionalidade: três pilares que sustentam minha prática até hoje”, finaliza a terapeuta ocupacional.

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