
Canções simples, repetição e interação ajudam no desenvolvimento da linguagem, da comunicação e dos vínculos na primeira infância
Celebrado em 12 de agosto, o Dia Nacional das Artes costuma remeter a museus, teatros e galerias. A música, porém, pode fazer parte da vida da criança antes mesmo do nascimento. Para a musicista e fonoaudióloga Cintya Soares (@ibprof.com.br no Instagram), ela não deve ser vista apenas como entretenimento ou complemento da rotina na primeira infância, mas como uma das primeiras formas de linguagem, comunicação e vínculo.
É no colo de quem canta para um bebê que, segundo a especialista, a música cumpre um de seus papéis mais importantes. Entre as diferentes manifestações artísticas, ela possui uma característica particular: pode ser percebida ainda durante a gestação.
“A audição está entre os primeiros sentidos a se desenvolver durante a gestação. Entre a 20ª e a 25ª semana, o bebê já começa a perceber os sons externos”, explica Cintya.
Por isso, sons familiares podem acalmar o recém-nascido, enquanto a música desperta interesse desde os primeiros meses de vida. Mais do que um estímulo agradável, ela prolonga uma experiência que começou antes do nascimento.
Canções simples ajudam no desenvolvimento da linguagem
Estimular uma criança por meio da música não exige repertório sofisticado. Segundo Cintya, canções curtas, repetitivas e conhecidas são adequadas para quem ainda desenvolve a fala porque apresentam elementos também encontrados na linguagem, como ritmo, pausa, velocidade e entonação.
Uma canção de quatro frases, por exemplo, já pode ser elaborada para um bebê ou uma criança que está no processo de aquisição da linguagem. Mesmo curta, ela apresenta um vocabulário que pode contribuir para esse aprendizado.
A repetição, comum na infância e muitas vezes vista pelos adultos apenas como uma preferência da criança, também exerce uma função importante. Segundo a especialista, repetir a mesma canção traz segurança e ajuda o cérebro a assimilar as informações, criar uma rotina e consolidar palavras novas.
A música ganha sentido na interação
Para Cintya, os benefícios não estão apenas em ouvir uma canção, mas na experiência compartilhada com o adulto. Colocar uma música para tocar não produz o mesmo efeito de cantar, brincar e interagir com a criança.
A música pode fazer parte de momentos cotidianos, como a alimentação ou o colo. Nesses casos, ela funciona como um meio de comunicação entre a criança e quem cuida dela.
O adulto também não precisa ter técnica musical ou cantar de forma afinada. Na primeira infância, o que faz diferença não é a performance, mas a presença, o contato visual e o afeto.
“A criança não está preocupada se você canta afinado. Ela quer carinho, afeto e que você olhe para ela”, afirma.
Música não substitui avaliação profissional
Ao defender a música como parte do desenvolvimento infantil, Cintya ressalta que ela não substitui acompanhamento médico nem tratamentos especializados.
Diante de possíveis sinais de atraso na fala, como uma criança de 2 anos que ainda não forma frases simples, a orientação é procurar um médico pediatra ou foniatra. A música pode integrar os estímulos oferecidos à criança, mas não substitui a investigação clínica nem o tratamento, quando necessário.
O mesmo cuidado vale para o trabalho conjunto entre os diferentes profissionais que acompanham o desenvolvimento infantil.
“Antes de ocupar os palcos, a música ocupa um espaço essencial no desenvolvimento humano, ao estimular a comunicação, o afeto e os primeiros vínculos entre a criança e quem cuida dela”, conclui a musicista.
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Quem é Cintya Soares?
Cintya Soares é Empresária, mentora, mestre em Educação, pós-graduada em Música, fonoaudióloga e musicista. Atua há mais de 33 anos na educação musical e, há décadas, dedica-se ao empreendedorismo e à formação de professores e gestores de escolas de música em todo o Brasil. É criadora do Método Criança e Música e possui três produtos educacionais chancelados pelo MEC, com foco em formação, metodologia e desenvolvimento da educação musical.
À frente de programas de mentoria, pós-graduação e treinamentos para o mercado educacional, Cintya já auxiliou centenas de professores e donos de escolas de música na estruturação de negócios mais sustentáveis, organizados e rentáveis, unindo educação, gestão, posicionamento e crescimento empresarial. Seu trabalho tem como missão fortalecer a educação musical no Brasil e ajudar profissionais da área a enxergarem a música também como negócio, sem perder a excelência pedagógica e o propósito educacional.
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