Entre sereias e lutas indígenas: fantasia juvenil convida a refletir sobre meio ambiente

Em "O Fundo Invisível da Lagoa", Rafaela S. Polanczyk cria uma aventura mágica na Lagoa da Pampulha para salvar seres esquecidos e um planeta em perigo

E se, ao cair na Lagoa da Pampulha, você encontrasse sereias pedindo socorro? É a partir dessa premissa que O Fundo Invisível da Lagoa, da bióloga e escritora Rafaela Schuttenberg Polanczyk, convida os leitores a mergulharem em uma narrativa que mescla fantasia, preservação ambiental e valorização das culturas indígenas. Inspirada na ausência de material educativo que conecte a realidade socioambiental de Belo Horizonte à vivência dos jovens, a autora constrói uma trama capaz de encantar e conscientizar. 

A protagonista, Luana, vive um acidente improvável: ao se afogar, é salva por seres que só conhecia em histórias. Com a ajuda do amigo Tomás, ela embarca em uma missão para compreender o recado das sereias e encontrar um novo lar para elas, passando por encontros com Encantados seres do imaginário indígena , rituais e revelações sobre a própria família. Ao ambientar a história na icônica lagoa, poluída há mais de 80 anos, a autora aproxima o leitor de problemas reais e urgentes. 

Luana franziu o cenho, sem entender como poderia haver tantas, como se existisse um pequeno palácio dentro da lagoa (...) Além da enorme barbatana prateada, possuíam pelos e braços. Uai, braços? Isso foi suficiente para a garota perder o ar de uma vez, ficando tonta. Sua visão escureceu e não tardou para a última bolha de ar escapar. As mãos tatearam em vão, batendo contra o pináculo de uma das torres aquáticas. Irmã! Oiya. Toré. Grande Espírito.
— Precisamos de ajuda 
As palavras abafadas em português foram as únicas que faziam sentido para a garota.(O Fundo Invisível da Lagoa, p.28)

Para Rafaela, unir fantasia e consciência ambiental foi um caminho natural. “Quando o problema é próximo, torna-se mais fácil enxergá-lo. Por isso escolhi a Lagoa da Pampulha como cenário de uma história educativa. A proposta mistura consciência ambiental e reflexões sobre as lutas indígenas dentro de uma narrativa fantástica, leve e envolvente, capaz de dialogar com os jovens leitores e promover tanto o encantamento pela leitura quanto a reflexão sobre o mundo que os cerca”, afirma. 

Outro destaque é o cuidado no tratamento das culturas indígenas. A autora consultou especialistas e contou com a leitura sensível de uma mulher indígena e de uma representante do povo Kariri para evitar estereótipos e representar os Encantados com fidelidade e respeito. O resultado é uma obra que preserva a essência cultural e amplia o diálogo com o leitor sobre diversidade e responsabilidade ambiental. 

Distribuído para todas as escolas da rede municipal de Belo Horizonte e 18 bibliotecas públicas da cidade, O Fundo Invisível da Lagoa é mais que um livro: é uma oportunidade de despertar jovens leitores para o poder transformador da literatura e para a urgência de cuidar do planeta. 

FICHA TÉCNICA 

Título: O Fundo Invisível da Lagoa 
Autora: Rafaela Schuttenberg Polanczyk
ISBN:
978-6550793937 
Páginas: 152 
Preço: R$ 35,00 (físico) | R$ 9,90 (e-book) 
Onde comprar: Amazon | Literíssima 

Sobre a autora: Rafaela Schuttenberg Polanczyk é bióloga formada e mestre em Neurofisiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Iniciou sua trajetória literária aos 16 anos, com o lançamento independente do primeiro volume de uma trilogia de fantasia, o que lhe abriu portas para feiras e salões do livro em Minas Gerais. Desde então, publicou dez obras, entre romances, contos e novelas, além de ter seus livros adotados por escolas e participação em eventos como a Bienal Mineira do Livro. Em 2023, foi contemplada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte para desenvolver o projeto O Fundo Invisível da Lagoa, que resultou no livro distribuído a escolas e bibliotecas públicas da capital mineira. 

Redes sociais: 
Site: https://rafa-escritora.my.canva.site/rafaela-polanczyk
Instagram: @rafa.escritora 

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